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segunda-feira, 10 de maio de 2010

Adeus Vista Vistosa/Bom dia EUROBUILDING

Adeus Vista Vistosa/ Bom dia EUROBUILDING

Ainda faltam mais 9 andares, mais uns dias ao som da maquinaria e dos martelos, que vai até às 10 da noite quando não decidem prolongar a festa até de madrugada...Isso sem falar no holofote que fica apontado directamente para o meu quarto..

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Twin Peaks


Twin Peaks é uma série do princípio dos anos 90, criado por David Lynch e Mark Frost, produzida por Aaron Spelling, que conta a história passada numa cidade aparentemente pacata dos Estados Unidos. A trama principal gira em torno da adolescente Laura Palmer, orgulho da cidade, que aparece morta às margens de um rio, enrolada num saco plástico, logo no começo do primeiro episódio. Esse misterioso assassinato vem revelar o lado obscuro duma cidade que ocultava grandes segredos de raízes profundas e bem emaranhadas. Traições, mentiras, ciúmes e paixões escondidas explicam esses segredos, mas eles podem incluir revelações sexuais, drogas e perversões.


A série conquista os fãs do género pela atmosfera surrealista, pela constante confusão entre o sonho e a realidade. O suspense hipnótico é também desenhado pelo carácter perverso de certos personagens como por exemplo o anão que fala de trás para frente que aparece nos sonhos do agente Dale Cooper, este que é um excêntrico agente do FBI encarregado de investigar o assassinato; a Log Lady, uma senhora que anda sempre com um tronco ao colo e diz que ele sabe o que se passou na noite em que a Laura Palmer morreu; o One-Armed Man, que está relacionado com Bob, uma entidade sobrenatural que está relacionada com o crime. A banda sonora está a cargo de Angelo Badalamenti que em resumo demosntra uma mistura entre a frescura da adolescência e a sensação de impotência face aos infortúnios e a volatilidade da vida.


Fonte: Wikipedia





terça-feira, 17 de novembro de 2009

Fui ver, era...

Balada de Neve

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
- Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...

E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza - e cai no meu coração

Augusto Gil

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Lindo

O menino da sua mãe

No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado-
Duas, de lado a lado-,
Jaz morto, e arrefece.
Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.
Tão jovem!
Que jovem era!
(agora que idade tem?)
Filho unico, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino de sua mãe.»
Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lhe a mãe.
Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.
De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço… deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.
Lá longe, em casa, há a prece:
“Que volte cedo, e bem!”
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto e apodrece
O menino da sua mãe

Fernando Pessoa

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Adolescência

Contraste

Da velha tempestade
te escondes sem liberdade.
Com a verdade no olhar
te escondes sem maldade

Não há batalha sem guerra.
Não há noite sem madrugada.

Prontifica-te a lutar.
Porém,
Não te deixes levar por aqueles que:
- Na velha tempestade
escondem a liberdade,
- Com o olhar na verdade
se defendem com maldade,
- Prontificam a matar, sem viver nem chorar.

Isa Dora Silva, 1995