quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Centro das ambições


A cidade
Chico Science
Composição: João Higíno Filho

O sol nasce e ilumina
as pedras evoluídas
que cresceram com a força
de pedreiros suicidas
Cavaleiros circulam
vigiando as pessoas
não importa se são ruins
nem importa se são boas

E a cidade se apresenta
centro das ambições
para mendigos ou ricos
e outras armações
coletivos, automóveis,
motos e metrôs
trabalhadores, patrões,
policiais, camelôs

A cidade não pára
a cidade só cresce
o de cima sobe
e o de baixo desce
a cidade não pára
a cidade só cresce
o de cima sobe
e o de baixo desce

A cidade se encontra prostituída
por aqueles que a usaram
em busca de uma saída
ilusora de pessoas
de outros lugares,
a cidade e sua fama
vai além dos mares

E no meio da esperteza internacional
a cidade até que não está tão mal
E a situação sempre mais ou menos
sempre uns com mais e outros com menos

A cidade não pára
a cidade só cresce
o de cima sobe
e o de baixo desce
a cidade não pára
a cidade só cresce
o de cima sobe
e o de baixo desce

Eu vou fazer uma embolada,
um samba, um maracatu
tudo bem envenenado
bom pra mim e bom pra tu
pra gente sair da lama e enfrentar os urubus
Num dia de sol, recife acordou
Com a mesma fedentina do dia anterior.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Perguntas com resposta?


Porque é que nos sonhos as sensações são mais fortes do que quando estamos acordados?
Porque é que nos sonhos o tempo parece infinito?
Porque é que as mulheres grávidas em Cabo Verde sonham com centopeias (escolopendras)?

sábado, 5 de dezembro de 2009

Chance de Aladim

Se canto sou ave, se choro sou homem
Se planto me basto, valho mais que dois
Quando a água corre, a vida multiplica
O que ninguém explica é o que vem depois... depois

No alto da montanha o vazio é tamanho
No ventre do mar a treva é abissal
Indo pela beira falta sal na vida
O que ninguém ensina é o ponto do mingau

Numa pirueta o corpo se agiganta
Bate uma preguiça, a fé fica pra trás
O amanhã num instante vira agora
Eu juro que ninguém me disse que era nunca mais...que era nunca mais

No dedo mindinho levo o meu carinho
O anel de safira vai no anular
Pai-de-todos manda, fura-bolos fura
Viro o azar em sorte no meu polegar

Mão de milho, mão de irmão que dá e tira
Sumo de mentira, escapo e digo sim
Meia-volta e o par é quem topa a quadrilha
E ninguém me livra de ser livre em mim

Esfrego e um gênio cumpre três desejos
Fantasio a morte, engano a dor banal
O que ninguém me rouba é o sonho de gigante
E o tudo e o nada, juntos brincam o carnaval

Nunca é tarde pra acender a lamparina
E enxergar além da vaidade vã
Nunca é nada pra quem curte uma saudade
E niguém me nega a luz dessa manhã
Quem disse que ser feliz é o fim de tudo?
O que ninguém me tira é o começo de mim
Meu canto é maior quando o mundo é mudo
E o que muda o mundo é a chance de Aladim...a chance de Aladim

O amor é tudo, o diabo quer chamego
Nunca é muito cedo pra se achar a rima
Pego a lã, o pão, a viola, e o canivete
O que ninguém me dá, eu pego e danço em cima
O que ninguém explica, o que ninguém revela
O que ninguém me disse, o que ninguém me dá
O que ninguém me ensina, o que ninguém me livra
O que ninguém me entrega, é certo, Deus dará
É certo, Deus dará, certo, Deus dará...

Ney Matogrosso
Composição Luli Oswald

sábado, 28 de novembro de 2009

O dom

O Dom

ENTÃO um homem rico disse: - Fala-nos do Dom.
E ele respondeu:

- Dais muito pouco, quando dais daquilo que vos pertence.
Quando vos dais a vós mesmos é que dais realmente.
Que é aquilo que vos pertence,
senão coisas que conservais ciosamente,
com medo de vir a precisar delas amanhã?
E amanhã, que trará o amanhã ao cão demasiado prudente que enterra os ossos na areia movediça enquanto segue os peregrinos a caminho da cidade santa?
E que é o medo da miséria, senão a própria miséria?

Quando o vosso poço esta cheio,
não é o medo à sede que torna a vossa sede insaciável?
Alguns dão pouco do muito que têm,
e fazem isso em troca do reconhecimento,
e o seu desejo oculto corrompe os seus dons.
Outros têm pouco e dão tudo.
Estes são os que acreditam na vida,
na bondade da vida,
e o seu cofre nunca está vazio.
Há quem dê com alegria,
e esta alegria é a sua recompensa.
Há quem dê cheio de dores,
e essas dores são o seu baptismo.
Há ainda quem dê, inconsciente da sua virtude,
sem nisso sentir dor nem alegria.
Dão como os mirtos do vale que a espaços atiram para o céu o seu perfume.
É bom dar quando nos pedem;
e é bom dar sem que nos peçam, como bons entendedores.

E para o homem generoso,
procurar aquele que vai receber é maior alegria do que dar.
E haverá alguma coisa que possais conservar?
Tudo quanto possuís será dado um dia.
Portanto, dai agora,
para que o tempo de dar seja vosso e não dos vossos herdeiros.

Muitas vezes dizeis: - Gostava de dar mas só aos que merecem.
As árvores dos vossos pomares não falam assim,
nem os rebanhos das vossas devesas.
Dão para poderem viver,
porque guardar é perecer.

Por certo aquele que é digno de receber os seus dias e as suas noites,
é digno de receber de vós tudo o resto.
E aquele que mereceu beber do oceano da vida
merece encher a sua taça do vosso regato.
E que maior merecimento do que aquele que reside não na caridade,
mas na coragem e na confiança de receber?

E quem sois vós para que os homens devam rasgar o peito diante de vós, vencendo o orgulho, para poderdes ver o seu mérito a descoberto e a sua altivez manifesta?
Procurai primeiro merecerdes ser doadores e instrumentos de doação.
Porque, em verdade, é a vida que dá à vida, e quando julgais ser doadores, sois apenas testemunhas.

E vós que recebeis
– e todos sois recebedores – não atireis para cima de vós o peso da gratidão, sob pena de impordes um jugo a vós mesmos e àquele que dá.
Mas elevai-vos juntamente com o doador, usando os dons como asas.
Porque ligar demasiada importância à vossa dívida é duvidar da sua generosidade, que tem por mãe a Terra magnânima e Deus como pai.

Khalil Gibran

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Miséria no Japão

Interpretação sublime de Ney Matogrosso da música:


Miséria no Japão
(Letra de Pedro Luis e a Parede)

Somos tios da pobreza social
Somos todos pára-brisas do futuro nacional
Eu sou tio, ela é tia
O pavio tá aceso, aqui é quente


País é quente
O mundo é quente
E quem te disse que miséria é só aqui?
Quem foi que disse que a miséria não ri?
Quem tá pensando que não se chora miséria no Japão?
Quem tá falando que não existem tesouros na favela?


A vida é bela
Tá tudo estranho
É tudo caro
Mundo é tamanho


Paraíso, pára-raios, capital
Parabólicas, pirâmides, trem-bala
Coisa e tal
Lá faz frio, cá é noite
Os açoites nos navios são história
Mas não é glória
Memória triste
E quem resiste faz a raça evoluir
Mas ainda existe guerra
Querendo fazer o mundo ruir
Não tem medida o amor em certos casos
O ódio atinge generais, soldados rasos

Pedro Luís

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Miss GANG, para quando?

Lembro-me dum tempo em que São Vicente ficava em estado de alerta quando os famosos bandidos, Rob Djula e Tectec fugiam da cadeia. Ouvia-se dizer que eles fugiam para as rochas, como nos filmes de coboi, e lá eram capturados, através emboscadas com direito a tiroteio e tudo. Ficávamos imaginando as cenas e principalmente como seria o aspecto físico de Rob Djula e do Tectec. Como nos filmes todos são bonitos, imaginava-os bem parecidos. O tempo foi passando, os filmes de coboi passaram de moda, chegaram os filmes dos gangs americanos. Acompanhando o ritmo de Hollywood, a população aumentou, daí, o número suficiente de pessoal para protagonizar o papel ganguístico. As actuações mais espectaculares são sazonais, no Carnaval, no Halloween, e na época natalícia.

Antigamente também as raparigas que ficavam em primeiro lugar nos concursos de Miss, ganhavam fama, viagens, e outros prémios pomposos. Realizava-se Miss São Vicente, Miss Liceu e Miss Cabo Verde. Com o tempo, e mais uma vez, com o factor demográfico, passamos a ter também Miss Escolas Secundárias, Miss Praias, Miss Bairros, etc.

Pouco mudou, no fundo... Continuamos a tentar imaginar as caras dos bandidos, (os gangs assassinos), e, por outro lado, continuamos a ver raparigas menores praticamente nuas na TV nacional. Reportagens e debates da imprensa abordam seriamente os temas da prostituição fina em CV, e da prostituição infantil, e no mesmo dia passa um programa Verão 2009 de Miss Praias. As Miss premiadas de hoje ganham pouco mais que a fama, no bairro, no liceu, no verão, na ilha...Mas a fama tem um pormenor, dura pouco tempo.
Quanto aos Gangs, a cena muda de plano, para lá dos míseros cinco minutinhos. Violência gera violência (em casa, no bairro, na praia, na ilha, no Carnaval, no Natal e no Halloween). Os filmes políciais também mostram que quem é assassino uma vez, pode voltar matar mesmo que seja muitos anos depois.
Posto isto, uma questão fica no ar: Já que passamos de país subdesenvolvido para país de desenvolvimento médio, porque é que não imitamos também aquelas leis dos países desenvolvidos em que as caras dos bandidos são exibidas em todas as estações televisivas e deixamos as caras das vítimas em paz?! Porque é que, paralelamente aos debates sobre prostituições não se proíbe imagens de menores seminuas nas estações televisivas do país?!

Se isso não for possível, porque não organizar concursos de miss e mister gang? Assim, criávamos um novo produto dois em um.


Imagens: www.fottus.com

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Fui ver, era...

Balada de Neve

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
- Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...

E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza - e cai no meu coração

Augusto Gil

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Até quando

Até quando

Não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve
Você pode e você deve, pode crer
Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu
Num quer dizer que você tenha que sofrer

Até quando você vai ficar usando rédea
Rindo da própria tragédia?
Até quando você vai ficar usando rédea
Pobre, rico ou classe média?
Até quando você vai levar cascudo mudo?
Muda, muda essa postura
Até quando você vai ficando mudo?
Muda que o medo é um modo de fazer censura

Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ser saco de pancada?

Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente
Seu filho sem escola, seu velho tá sem dente
Você tenta ser contente, não vê que é revoltante
Você tá sem emprego e sua filha tá gestante
Você se faz de surdo, não vê que é absurdo
Você que é inocente foi preso em flagrante
É tudo flagrante
É tudo flagrante

A polícia matou o estudante
Falou que era bandido, chamou de traficante
A justiça prendeu o pé-rapado
Soltou o deputado e absolveu os PM's de Vigário

A polícia só existe pra manter você na lei
Lei do silêncio, lei do mais fraco:
Ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco

A programação existe pra manter você na frente
Na frente da TV, que é pra te entreter
Que pra você não ver que programado é você

Acordo num tenho trabalho, procuro trabalho, quero trabalhar
O cara me pede diploma, num tenho diploma, num pude estudar
E querem que eu seja educado, que eu ande arrumado que eu saiba falar
Aquilo que o mundo me pede não é o que o mundo me dá

Consigo emprego, começo o emprego, me mato de tanto ralar
Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar
Não peço arrego mas na hora que chego só fico no mesmo lugar
Brinquedo que o filho me pede num tenho dinheiro pra dar

Escola, esmola
Favela, cadeia
Sem terra, enterra
Sem renda, se renda. Não, não

Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente

Na mudança de atitude não há mal que não se mude
nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro

Gabriel O Pensador

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

To Bonga

The soft parade



"...Catacombs,

Nursery bones,
Winter women
Growing stones,
Carrying babies
To the river;
Streets and shoes,
Avenues,
Leather riders
Selling news,
The monk bought Lunch.
He he he, he bought a little.
Yes, he did Woo!


This is the best part of the trip.
This is the trip, the best part
I really like it.
What'd he say?
Yeah!
Yeah, right!
Pretty good, huhHuh!
Yeah, I'm proud to be a part of this number!

Successful hills are here to stay,
Everything must be this way.
Gentle streets where people play,
Welcome to the Soft Parade.
All our lives we sweat and save,
Building for a shallow grave.
“Must be something else”, we say
“Somehow to defend this place.”
Everything must be this way,
Everything must be this way, yeah. Aah, yeah!
The Soft Parade has now begun
Listen to the engines hum.
People out to have some fun,
Cobra on my left,
Leopard on my right, yeah.
Deer woman in a silk dress,
Girls with beads around their necks,
Kiss the hunter of the green vest
Who has wrestled before
With lions in the night...
(When all else fails,
We can whip the horse's eyes
And make them sleep and cry).”
*The doors (Versos de Jim Morrison)

domingo, 1 de novembro de 2009

Opinião

Capítulo 1: O Último Vôo da Osíris

Penso que com Animatrix aprendemos que cada um pode escolher entre a conciência e a inconsciência. No filme, a evolução humana ultrapassa os limites da própria humanidade. Mesmo no auge do seu domíno sobre o homo sapiens, o sistema operativo das máquinas apresenta falhas. Essas falhas representam uma nova esperança para a libertação dos humanos em direção à vida real. Trata-se de uma revolução contra o mundo das máquinas.

A mensagem do filme mostra-nos que problema das máquinas foi terem herdado os mesmos erros da humanidade. Sendo esta a peça chave, ela terá de reinventar-se pegando na sua faculdade de adaptação, fazendo-se valer dos direitos humanos de evoluir através das suas próprias capacidades e não deixar-se adormecer nas convenções.


"The Animatrix é uma coleção de 9 contos de curta-metragem sobre o mundo de Matrix (Por alguns considerado como sendo 9 episódios de OVAs), em parte escrito pelos irmãos Wachowski. Os contos são uma fusão de computação gráfica com o tradicional anime japonês. A série trata das histórias que antecedem Matrix, dos dias finais das últimas cidades da humanidade, da guerra contra as máquinas e da queda da espécie humana."

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Tudo o que existe

“Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas acções dos homens.”
Albert Einstein (1879-1955), físico alemão

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Lindo

O menino da sua mãe

No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado-
Duas, de lado a lado-,
Jaz morto, e arrefece.
Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.
Tão jovem!
Que jovem era!
(agora que idade tem?)
Filho unico, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino de sua mãe.»
Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lhe a mãe.
Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.
De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço… deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.
Lá longe, em casa, há a prece:
“Que volte cedo, e bem!”
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto e apodrece
O menino da sua mãe

Fernando Pessoa

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Cabral e o Medo

O maior teórico independência de Cabo Verde diria que ainda não somos um país independente. Diria que ainda há muito trabalho a fazer. O sistema de hoje é copy paste do regime colonialista. Assim como na época colonial, o medo é ainda a ferramenta principal do poder. Antigamente era o medo de ser enviado para outra parte do planeta, hoje é o medo de opinar contra, para não ser eliminado pela grande família. Antes eram o portugueses colonialistas e não os portugueses das ilhas, a desfrutarem dos direitos, que teoricamente eram para todos. Hoje os direitos que teoricamente são para todos, são na prática para grupos de interesses comuns em relação aos que realmente têm competência. Hoje não temos a Pide para fiscalizar e censurar tudo. Temos sim formas subtis de silenciar pessoas. Boicote de projectos, assédio moral no trabalho (ou mobbing), violação de direitos de autor...

E o que diria Amilcar Cabral quanto a esses fenómenos?

"Todos os abusos, todos os privilégios de grupos ou grupinhos, não podemos aceitar na nossa terra amanhã, se de facto queremos libertar o nosso povo. Não vamos libertar o nosso povo só dos colonialistas tugas, não, mas de tudo quanto prejudica o caminho do progresso. Temos que destruir a ignorância, e toda a espécie de medo, a pouco e pouco, passo e passo. Quando conseguirmos isso, teremos libertado de verdade o povo da nossa terra. Porque a maior pressão que existe sobre e um povo, não é a dos colonialistas camaradas, não é a falta de trabalho, é o medo.”
*


Nos serviços públicos, tratam os utentes como se fossem delinquentes presos. A única forma de demonstrarmos que não temos medo das suas caras feias é igualarmo-nos a eles, em termos de poder, isto é, falar em português. O feitiço quebra-se imediatamente. E isso não é apenas simplesmente herança colonial, isso reflecte como o medo é ainda a ferramenta preferida dos pequenos e dos grandes poderes.

*Cabral, Amilcar Resistência política, 1970

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Isto ou aquilo?

Sobre criminalidade e desenvolvimento: Será contradição? Passamos de país sub desenvolvido para país em vias de desenvolvimento mas a criminalidade não apresentou sinais de abrandamento. Descartamos a criminalidade como indicador ou reformulamos o conceito de desenvolvimento?



Bíblia Sagrada e Saramago: Quem não deve estar contente com o escritor deve ser o anticristo declarado, Marilyn Manson, como poderá ele ser o anticristo e ter o Diabo no corpo se Deus não existe, Ele que criou tudo inclusive o Diabo, o anjo caído?

Sobre a queda de seis lugares da liberdade de imprensa em CV. A culpa não é de ninguém, mas sim do sistema.... Esperava-se que o jornalismo acompanhasse a passagem do país de "sub desenvolvido" a "desenvolvimento médio". Mas tal não se verificou.


De acordo com entrevistas na televisão nacional com artistas e algumas festas de comemoração do dia da cultura fica a questão: Celebra-se a cultura caboverdiana em si ou as manifestações artísticas do país?

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Quem ama cuida

Mononoke Hime é um filme de animação japonês dirigido por Hayao Miyazaki


Japão, Era Muromachi (1336 a 1392) . Aquele era um tempo de muitas mudanças, onde os homens ainda conviviam com feras e deuses. Mas a paz só duraria até um inevitável dia em que tudo seria posto abaixo e o homem mostraria do que era capaz. Um terrível demônio que possui o corpo de Deus-Javali, estava deixando a floresta e se dirigindo ao vilarejo dos Emishi, um povo nobre cujo príncipe chama-se Ashitaka, ele é quem se encarregará de parar o terrível Deus-Javali (na verdade um "Tatari Gami", ou "Deus da Maldição") que estava a caminho de sua região, e com certeza iria destruí-la. Mas o resultado dessa batalha é que ele acaba recebendo uma maldição, posta pelo demônio pouco antes de morrer. Condenado, Ashitaka decide deixar seu povo e segue para o oeste, em busca da cura para o seu problema....

Fonte: Wikipédia

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Adolescência

Contraste

Da velha tempestade
te escondes sem liberdade.
Com a verdade no olhar
te escondes sem maldade

Não há batalha sem guerra.
Não há noite sem madrugada.

Prontifica-te a lutar.
Porém,
Não te deixes levar por aqueles que:
- Na velha tempestade
escondem a liberdade,
- Com o olhar na verdade
se defendem com maldade,
- Prontificam a matar, sem viver nem chorar.

Isa Dora Silva, 1995

sábado, 17 de outubro de 2009

Loucos, quem são eles?

"Uma parte do mundo troça da outra e uma e outra riem-se da loucura comum"
Baltasar Gracián y Morales

Baltasar Gracián y Morales (8 de janeiro de 1601 - 6 de dezembro de 1658) foi um importante prosador espanhol do século XVII ao lado de autores como Francisco Quevedo e Miguel de Cervantes, além de Teólogo e filósofo.

Entre sua prosa didática destacou-se a obra "A arte da prudência". Gracián influenciou pensadores como La RocheFoucauld, Voltaire, Jaques Lacan e principalmente os filósofos Shopenhauer e Nietzshe.

Fonte: Wikipédia

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Contacto

Diário de bordo.... Directamente do triângulo de Bermudas, dia 16 de Oct

Nem uma aragem, que saudades de um grão de poeira a pairar no ar! O oceano engole-nos e estamos vivos. A tripulação em geral já não tem noção de datas. É que parece que os ponteiros dos relógios fazem o caminho inverso e param também ás vezes... E o tempo não passa, passando. Podemos ver um fio de cabelo a descolorar-se lentamente com a accção dos raios ultra violetas, e isso acontece num dia (que é uma semana).

Agora vou tentar mais uma vez o mayday
"mayday mayday eeei mayday, estamos aqui (onde estamos mesmo?) Mas sem resposta...
Saudades de um grão poeira a pairar no ar...

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A tirania em nós

Nesta terra calamos demais, mas nem todos o fazem.. Alguns esguelam esguelam e cansam-se. É verdade, cansamo-nos quando vemos que o cortejo simplesmente continua o seu rumo ao mesmo ritmo. Uns carregando a nostalgia da familiaridade e da simplicidade do quotidiano de antigamente. Outros carregando a falsa leveza do conformismo que é anti-vida. Afinal estamos no mesmo ponto. Anos 20, anos 60 séc.XXI, tudo farinha do mesmo saco. Tudo num prato infinitamente raso. A prova é que se experimentarmos fechar os olhos podemos sentir a presença de um passado à nossa escolha.Está tudo na nossa mente e o que está dentro dela também é real.



Afinal nada se move. Muitos dizem: "Nesta terra, trabalhar para o Estado é frustrante, não há espaço para criatividade..." Como explicar essa contradição para uma criança (é que elas estão cada vez mais interessadas e têm acesso à internet). Cedo elas vão aprender que o telejornal nacional passa apenas inaugurações, seminários que prometem mudar coisas, pessoas com caras sérias e distantes apresentando vestes tipo fardas de tropa de cores neutras e tristes, as notícias não variam muito, é a oscilação de preços, e pessoas que reclamam, uma ou outra cena mais emocionante, tipo , um poste de luz que caiu, ou fulano que agrediu sicrana. Cedo as crianças vão entender que não vale a pena ver o telejornal e que é internet que dá informação... Será que as crianças de hoje darão continuidade a esta vida fictícia retratada no telejornal? Que rumo tomará tudo isso? Será que aquilo que escrevemos nos blogs, denunciando, criticando dará luz a uma nova realidade paralela à realidade fictícia do telejornal. Ou nós os blogueiros ficaremos sempre à margem, esquecidos? Seremos todos hipócritas??

Termino post desanimado com uma passagem de um poema de Khalil Gibran cujo o tema é liberdade."E se é um tirano quem quereis destronar,vede, antes de tudo, se o trono dele em vós está bem destruído.Porque, como pode um déspota dominar os livres e altivos, se não houver tirania na liberdade desses e vergonha na sua própria altivez?"

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

WAR

Until the philosophy which hold one race superior and another inferior is finally and permanently discredited and abandoned -everywhere is war
-me say war.
That until there no longer first class and second class citizens of any nation

Until the colour of a man's skin is of no more significance than the colour of his eyes
-Me say war.
That until the basic human rights are equally guaranteed to all, without regard to race
-Dis a war.
That until that day the dream of lasting peace,world citizenship rule of international morality will remain in but a fleeting illusion to be pursued, but never attained
-Now everywhere is war - war.

And until the ignoble and unhappy regimesthat hold our brothers in Angola, In Mozambique, South AfricaSub-human bondage have been toppled, utterly destroyed -Well, everywhere is war -Me say war.

War in the east, War in the west,
War up north, War down south -War - war -Rumours of war.
And until that day,the african continent will not know peace, we Africans will fight - we find it necessary -And we know we shall win. As we are confident in the victory of good over evil -Good over evil, yeah!Good over evil -Good over evil, yeah!Good over evil -Good over evil, yeah!

Fontes:
Texto: Letra da música War de Bob Marley

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Evoluir com a Mosca

Depois da bonança da chuva veio a tempestade, uma brisa, devidamente acompanhada de uma terrinha escarlate, a atmosfera adquire uma característica misteriosa e… Como não poderia deixar de ser, o ataque massivo das moscas e mosquitos zzzz. Aquele que tentamos, em vão, ignorar. Pensamos assim: aaah que maçada! Mas não, vamos estar em harmonia com esses seres que nos podem elevar a um patamar desconhecido, fascinante, tentador, why not?

Os olhos humanos captam 25 imagens por segundo como um movimento contínuo
A mosca capta 100 imagens por segundo como impressões separadas e é capaz de interpretá-las suficientemente rápido para guiar os seus movimentos e determinar a sua posição no espaço.

Sabendo que a mosca tem um encéfalo pequeno, ela não poderia fazer tais malabarismos se o seu cérebro funcionasse como o dos humanos. Isso significa que esses seres que tentamos ignorar devem ter um modo mais simples de processar as imagens. Dai a pesquisa levada a cabo pelos cientistas alemães.

Melhorar a capacidade de percepção visual é um assunto de grande interesse para quem se dedica às pesquisas de interacção entre máquinas e seres humanos. Por isso, pesquisadores da Universidade Técnica de Munique decidiram investigar o que acontece no cérebro da mosca enquanto ela está em vôo. O objectivo é aproveitar habilidades para, por exemplo, desenvolver robots capazes de captar melhor o que acontece à sua volta.


Fontes: texto http://info.abril.com.br/
imagem: http://www.piadashowdebola.blogspot.com/

terça-feira, 29 de setembro de 2009

29/09 aniversário de Caravaggio

Pintura de Michelangelo Merisi da Caravaggio
Título: Degolação de São João Baptista
Fonte: Wikipédia
"Herodes antipas vivia escandalosamente, tendo raptado Herodíades, esposa de seu irmão Felipe. Essa união ilícita era um mau exemplo e grave escândalo para a nação inteira. Não havia quem se sentisse com coragem de censurar o monarca e chamá-lo à ordem. São João Batista, porém, não podia ver tal coisa, de braços cruzados. "
http://www.brasilwiki.com.br/noticia.php?id_noticia=13668

Together we stand, divided we fall

Hey you! out there in the cold getting lonely, getting cold, can you feel me Hey you! Standing in the aisles with itchy feet and fading smiles, can you feel me Hey you! don't help them bury the light Don't give in without a fight. Hey you! out there on your own Sitting naked by the phone, would you touch me Hey you! with your ear against the wall Waiting for someone to call out, would you touch me Hey you! would you help me to carry the stone Open your heart, i'm coming home But it was only fanstasy The Wall was too high, as you can see No matter how he tried he could not break free And the worms ate into his brain Hey you! out there on the road Doing what you're told, can you help me Hey you! out there beyond the wall Breaking bottles in the hall, can you help me Hey you! don't tell me there's no hope at all Together we stand, divided we fall

Pink Floyd

domingo, 27 de setembro de 2009

Feira: "Meet the authentic CV Mob"

A caminho da inaugração da casa do Dirceu, resolvi passar pela feira com o intuito de tomar uma correspondêcia que me enviaram da Praia. Logo à entrada, a primeira coisa que me saltou à vista foi um aglomerado pessoas sentadas numa esplanada, à direita, uma das entradas para os famosos stands. É perfeitamente legítimo a organização de actividades que dêem a conhecer os nossos produtos. Esperava encontrar um sítio animado com pesssoas simpáticas, dispostas a conversar sobre a sua oferta. Mas a sensação gélida e vazia invadiu-me no instante em que entrei. As pessoas engravatadas dos stands (agências, coorporações e universidades)limitavam-se a falar entre eles, ignorando o que se passava à sua volta e mostrando um par de objectos repletos de vazio. Uma atitude a explicar pela soberba característica ou pelo simples facto de não saberem agir por não entenderem o verdadeiro significado da festa? A ver. Feira de turismo sob o lema "experiência autêntica" (neste caso, autenticidade fabricada por uma família irremediavelmente invisível).

www.ericohiller.com.br

Não tardei a localizar os stands de artesanato (zona de boa aura), artesãos que se mostravam visisvelmente receptivos e alegres por participar de tamanho evento. E num outro extremo longínquo estava o diamante máximo da cultura caboverdiana. um stand sobre a Cidade Velha recheado de objectos simbolicos do referido património mundial. (Um grande passo, sem dúvida, para o desenvolvimento do país). Mas também todos sabemos que aquilo é explorado por uma empresa espanhola porque nós aqui não temos capacidade par tal empreendimeto.

Dei uma vista de olhos no programa e reparei que havia palestras a serem proferidas pelos mesmos dinossauros fósseis de sempre, porque desde a claridade e outros paradigmas seguintes, nunca mais nasceram pessoas capazes de tal proeza, por isso recorreu-se à coorporação Jurassic Park, que juntamente com outras coorporações de mesma antiguidade insistem em tentar convencer-nos que a torneira de intelectuais como os antigos está para sempre fehada, isto é já não existe. ("...obliterar aristas, intelectuais e cientitas do povoado para podermos dominar hehe", isso lembra-me um lema de uma ideologia que não convém aqui mencionar).


Entrei noutro pavilhão que dizia "exposição" Mas não hava nada em exposição. Havia duas mesas ocupadas por comidas e bebidas e pessoas à volta delas.. Saí e fui ver o que havia na esplanada onde estavam todos os visitantes da feira com olhos postos no nada.(é que não havia mesmo nada para ver, nem ouvir). Fui ler o quadro do cardápio, contente fiquei quando vi que havia torresmos, que adoro, pedi uns quantos e procurei uma mesa para deliciar as iguarias com uma imperial e tentar esquecer o frio da sibéria que apanhei nas sala dos stands. Por fim abandonei o local , feliz pela evasão e apreensiva pela realidade que acabara de deixar para trás.

domingo, 20 de setembro de 2009

Entrevista de última hora (exclusivo)

Falar da chuva que escancarou invadindo tudo
e depois passou descomprometidamente, como que dizendo
"decidam-se".
Vamos ouvi-la:
"Chovo quando quero e não quando me mandarem, se não têm balaio para me amparar problema vosso, caio em estillo!
Promovo o prazer do contacto com a lama num leque variado de graus humidade, lama líquida ou molinha, lama mais dura, tipo brigadeiro. Lama fria, lama quente, lama que coça, lama que cura...Enfim. Além disso promovo também ambiente romantico para casais recém apaixonados, (adoro participar do beijo).
Que mais querem!! Não me evocaram com a música, então caio, caio em estilo, proporcionando paisagens emocionantes, imagens fantásticas tipo filmes de ficção científica.
Todos falam de mim, que mais querem, torrencial eu?!
Eu que que promovo a reconciliação e a solidariedade?? Torrencial eu?! Ou pensavam que a minha natureza era apenas (tipo ping...ping) ? Não, não é assim, também gosto de adrenalida...... Desculpem-me se exagerei. Mas é a minha (nossa) natureza. Vocês não gostam de desportos radicais, e festas badaladas cheias de gente garrothada, etc? Porque é que eu não posso caprichar na minha performance? Mostrar que o mundo pode ser visto de outra forma e lembrar-vos da força da minha (nossa) mãe. Ai ai, decidam-se... Sinto-me aliviada, porém culpada, por todos os estragos....Despeço-me na certeza de que se lembrarão de mim com ternura, não pensem em mim com temor, ou raiva, não sou assim. Quem sabe se para a próxima estaremos mais em sintonia.... Para a próxima tentarei dançar apenas no lado direito da estrada para poderem passar no lado esquerdo... Tentarei procurar desesperadamente um balde ou outro recipiente e nao esbordiarei (mas não tenho a certeza). Passei, alguns têm saudades outros nem por isso."*
*Extrato de entrevista por telefone com Dona dos Chuviscos.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Vivos, sabem?

Postos de trabalho, que condições?

O Sr. Milton explica melhor

Look but don't touch. Touch, but don't taste. Taste, don't swallow. Ahaha. And while you're jumpin' from one foot to the next, what is he doing? He's laughin' *

*Extrato de diálogo entre Kevin Lomax (Keanu Reeves), John Milton (Al Pacino), no filme Advogado do Diabo.

sábado, 5 de setembro de 2009

Crazy Little thing called love



"Freddie Mercury, nome artístico de Farrokh Bommi Bulsara (Stone Town 5 de Setembro de 1946 — Londres, 24 de Novembro de 1991), foi o vocalista da banda de rock britânica Queen. É considerado pelos críticos e por diversas votações populares um dos melhores cantores de todos os tempos e uma das vozes mais conhecidas do mundo." fonte wikipédia

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Carnaval na Capital

Entretanto, de vez enquanto aparecem uns jornalistas armados em espertos a perguntar que inovação fez o museu. Um museu em São Vicente por si só é uma inovação. Pergunto quantos deles frequentam as bibliotecas que têm uma função similar aos museus?! Será que querem mesmo saber a verdadeira resposta? Querem mesmo saber que desde a inauguração (Novembro de 2008) ainda o museu não tem verba de funcionamento, e que as obras dos anexos só terminaram na semana passada?
Esses sim, esses alienados são os grandes agentes da centralização dos poderes na capital. Não se trata de bairrismo, pois, como podem ver, uma grande fatia dos cérebros de CV está na Praia. Em vez de lutar contra este o monstro baboso, esses agentes pisam os amigos, os colegas e a família para poder atingir um lugar ao sol lá na Praia. E quando já todos estiverem lá, será um Carnaval sem fim, (quem tem o carro maior, quem tem piscina em casa, quem tem casa de campo, quem tem mais amantes, quem tem mais ouro, quem é mais esperto, quem tem mais operações plásticas, quem faz mais viagens, etc).
Graças a Deus o espírito reivindicativo do Capitão Ambrósio ainda cá canta! Isso é um problema a nível de todos os ministérios, em todas as ilhas. Nesta guerra fria, temos que falar tudo, pôr tudo a descoberto porque o sistema é silencioso, repressivo, funciona por debaixo de camuflagens e tende a ser implacável. (típico da extrema direita, e não estou a falar de partidos políticos).
Se fosse há poucas dezenas de anos atrás a autora deste post seria enviada para o Deserto, sem nunca mais poder voltar a CV, mas como isso já não é bom para a imagem dos governos os autores de posts como este, apenas constarão dos ficheiros como os maluquinhos do reino.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

musas e músicas

Imagem: Mike Surov
Álbum: Hotel Costes 10 by Stéphane Pompougnac

A 200Km/h

Perto do coração, longe da vista, sorris solto
e dizes não te aflijas...perdes e sorris...
Falo da tua a tua leveza, perdes e abraças sem chorar
falas da dor que te dói e continuas, sorris, abraças a velocidade, não páras.
Dizes não choro e as tuas lágriamas invisíveis tomam conta das tuas palavras
Não foges, sorris sempre sacudindo tudo o que não te deixa evoluir, e dizes não choro.
À tua volta, sorris solto e te entregas à velocidade da estrada, e o teu riso
voa, em eco, dizes assim é melhor, não páras, e te deixas petrificar a 200 kms/h. Falo do cuidado que deves ter, e sorris solto, dizes cuido.... Sento-me ao teu lado tentando perceber como... dizes não te preocupes, falo do medo de te perder, e dizes estou aqui...

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

arte e evolução

www.alexgrey.com

Flores e frutos

Nos anos 70, o libertador Amilcar Cabral disse: "as crianças são as flores da revolução", e olhando ternamente para as crianças todos citamos orgulhosamente este dito. As crianças do tempo independentista também o repetiam cega e fervorosamente e se sentiam especiais. Onde estão elas as flores de outrora que deviam agora ser os frutos? Estudaram nos melhores liceus do país, tiveram as melhores bolsas de estudo para estudar nas universidades europeias. O libertador sabia que cabia a elas continuar a missão da liberatação. Algumas deixaram os estudos pelo meio do caminho, outros seguiram a emigração. Mas todas fazem parte de grandes conquistas e em tão pouco tempo. O primeiro governo durou tempo suficiente para gerar outro no seu seio que sucessivamente trocam os postos uns com os outros como as monções. Nos anos 90 o país abre ao mercado mundial, vem a onda das privatizações das estatais. Com tudo escancarado, um problema ao longe se vislumbra: como lidar com a mentalidade paternalista? Durante tanto tempo dependentes de "apoios"... É sempre a figura paterna a tomar frente em tudo, o chefe do governo, o chefe das repartições e das instituições fala por todos. A mentalidade superior do poder colonial é transferida para o poder das administrações, por isso, se se pretende um bom atendimento convém falar em português. Permanece todavia o mesmo medo de questionar que começa nas salas de aula das escolas primárias. A maioria dos pais entregam os filhos para ficarem nas mãos dos professores dos liceus que têm turmas de 35 a 40 alunos. Ser ousado é algo de exótico em Cabo Verde, por isso, aparecem muitos por aí a dizer tantas asneiras... E são cegamente venerados por isso.
As flores transformaram-se em frutos e querem continuar o processo aplicando os seus conhecimentos a favor. Tal como em toda parte as engenharias as medicinas, economias, são o sinal de prosperidade, mas em CV áreas das ciências sociais são uma uma anedota: ainda há quem pergunte para quê antropólgos se não há macacos no país. Com a massificação da concorrência em tudo, viraram-se uns contra os outros. Excepto alguns elitistas que se elogiam uns aos outros, recriando o mesmo modelo do grupo poder central, acenando a sua coroa imaginária e rosnando para os plebeus. Em que monstro se transformou a necessidade latente de liberdade no verdadeiro sentido da palavra??

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Ser

Imagem: Lev Borodulin, 1960

Sereis livres de facto não quando os vossos dias decorrerem sem cuidados e as vossas noites sem desejos e sem fadigas, mas antes quando todas essas coisas cercarem a vossa vida e vos elevardes acima delas, nus e libertos.
Khalil Gibran

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Holograma

Sobre a Mesa Redonda , oficialização da Língua

X (Explanação) -Evolução e caracterização da Língua, com subsídios da História, da Fonética, Fonologia, Morfologia, etc.

Contribuição A – Quanto à uniformização?
X – Isso já não depende do cientista, o tempo dirá…

Contribuição B – E a Doutrina, já está estruturada?
X – Afirmativo, mas há quem não concorde com a metodologia. Que apresente então uma alternativa. Mas penso que todos são a favor. Ela tem os três requisitos necessários para ser uma Doutrina (É Económica, é Funcional e Sistemática).

Contribuição C – sussurra) – Oi, oi! Coitados dos nossos filhos, vão ficar isolados!!!
X – Não podemos ficar dependentes de um sistema que muda de acordo dinâmicas diferentes das nossas, isso é estar isolado. Mas tal não é motivo para preocupações, pois as duas conviverão lado a lado. O objectivo é valorizar.

Contribuição D – Mencionou que há ramificações, qual é o Tronco?
X- O tronco é a origem, a mãe de todas...se é que existe um tronco.

Contribuição F – Esta Doutrina contém um estudo exaustivo de todas as outras ramificações?
X – Não

domingo, 26 de julho de 2009

Domingo de Verão

Domingo normal e corrente,
nas soleiras das portas ao fresco,
dos penteados de estreia.
Domingo que sabe a catchupa guisada com ovo estrelado, manguinha de terra...
Domingo
Que liberta um odor a óleo de côco e água do mar na pele.
Domingo à tarde de Nelson Ned.
De ressacas das festas de celebração da vida.
Domingo dos maravilhosos “Quando o telefone toca” e “Top às 10+”
Dos relatos de jogo que quebram o silêncio das tardes desertas.
Domingo do regresso daquele passeio inesquecível….

sábado, 25 de julho de 2009

mistério = origem

Estas coisas são mesmo assim, não se explicam, o mistério mantém-se.
Por isso, é sinónimo de fonte que implica vida e explica tudo. A paixão pelo mistério é igual a obsessão pela vida, igual a origem. As soluções estarão sempre aí nos primórdios de todas as coisas. Temos o princípio do éter, existimos e somos voláteis no tempo. Dorme em nós o conceito do fogo, nascemos, atingimos um certo ponto e extinguimo-nos como uma estrela, elas também têm um último brilho (que chega até nós instantes ou eternidades depois). Somos sólidos e quase 100% água. Contradizemo-nos como o Sol que se queima a si próprio enquanto distribui vida. Estamos onde queremos estar, ou onde queremos ser vistos? Sorrimos chorando, choramos por nada, tarde de mais. E continuamos. Com a Internet descobrimos uma espécie de telepatia, e isto é só o princípio, dizem. Apesar do complexo pelo nosso passado obscurantista, temos que admitir que a Probabilidade é a arte de premonição. Por vezes deixamo-nos levar pela armadilha invisível da ilusão de eternidade, mas em contrapartida sentimos saudades de nós próprios, a tal ponto que tapamos os ouvidos para evitar a audição daquela música que nos reporta para a dimensão que tentamos ignorar, por impotência. Daí o fascínio pelo mistério da vida.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Dedicatória

Dedico este blog para: todos os cabo-verdianos que não questionam nem a sua cabo-verdianidade nem a do próximo. Que se aceitam simplesmente como cabo-verdianos. Para aquele que viveu na era em que se era português só no documento e tinha menos direitos em relação ao da metrópole. Para aquele que conheceu de perto o Movimento Claridade, a corrente realista que inaugurou a pesquisa etnográfica em Cabo Verde. Para aquele que viveu a era independentista num país que tinha de se afirmar no mundo através da coligação política com o continente. O Africanismo desenvolve-se no contexto dos desmoronamentos dos impérios coloniais. A lusitanidade é substituída pela africanidade.Fernandes (2006) conclui que “nação crioula foi sendo adiada à medida que se abriram aos crioulos as portas para um nacionalismo lusitano ou africano, e não propriamente cabo-verdiano.”* Para aqueles que contribuem para a preservação e a divulgação do património cultural cabo-verdiano, lançando luz aos diferentes contextos. Para aqueles que cultivam a atitude reivindicativa do Capitão Ambrósio. Para aqueles que acreditam que a centralização dos poderes na Praia atrasa o país. Para aqueles que vivem nos outros municípios injuriados por esperar três meses por um documento que voou até a capital para ser gloriosamente assinado e que teve de ser emitido outra vez porque o original perdeu-se na gaveta do Sr. Dr. Para aqueles que lutam contra a injustiça dos projectos que vão das outras ilhas e mudam de autor quando chegam na Praia. Para os jornalistas que derrubam os clichés e investigam a fundo o que se passa em Cabo Verde contrapondo aos abutres preconceituosos que se acham os deuses da informação quando um político os telefona pedindo uma grande entrevista de conteúdo duvidoso, para acalentar a cabeça dos alienados. Para aqueles que conhecem Cabo Verde com as suas próprias capacidades sensoriais e intelectuais.
*Fernandes, Gabriel (2006), Em busca da Nação, UFSC