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sábado, 8 de janeiro de 2011

O nosso sis-teima

Imagem: Peça de Cerâmica de Tito Lívo Rodrigues

Gostaria de citar uma passagem interessante e inovadora publicada num dos jornais da nossa terra. São palavras que muito raramente escapam à censura austera e aparecem impressas.

Para os conservadores tais palavras revelam nada mais do que rebeldia.


"O tempo dos gestores e directores -gerais nómadas, emperradores de sitemas e lacaios engravatados de um governo centralizador, está chegando ao fim, cedendo lugar a líderes de processos onde são muito mais enfatizadas as relações dinâmicas que as próprias entidades individuais."

Extraído do Artigo de Carlos Araújo in Jornal A semana , sexta-feira, 7 de Janeiro de 2010


Aprecio a ideia de Araújo. Na verdade, quem nunca conviveu com figuras denominadas de directores gerais de não sei quê, pode não ver bem o cenário. O que é facil para quem já visitou e ou convive com as figuras ridículas dos "lacaios engravatados" -Faltam mais apelidos: Mesquinhos, Fascistas, Servos (por ignorânica) da desgraça do povo e portanto da sua própria desgraça.


Mas simpatizo mais com a expressão emperradores do progresso do que a de "emperradores do sistema" utilizada pelo autor. E em vez de" governo centralizador" diria sistema centralizador. Porque estamos perante um problema de centralização que ultrapassa o domínio dos governos. Esta moda de centralizar, que começou com os modelos governamentais, foi adoptada a todos os níveis possíveis e imaginários, privados e semi-privados, dependentes, independentes, para o bem, para o mal, para coisas meio termo e também para as coisas assim-assim.


Sistemas de tal envergadura acabam um dia, mas leva tempo, pois, neste caso já é uma cultura. Já se pode sentir esta forma de viver no suor de cada um de nós.. Precisamos de tratamentos trangénicos para mudar. E para isso é preciso muita ciência... e paciência.




quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A memória do esquecimento


Quem se lembra que em 1917 foi criado o Museu Caboverdeano em São Vicente?

Para aqueles que não se lembram, um refresh:


« (…) Usando da autorização concedida ao Govêrno pelo artigo 87º da Constituição Política da República Portuguesa;

Hei por bem, sob proposta do Ministro das Colónias, decretar o seguinte:

Artigo 1.º É criado na cidade de Mindêlo, um museu provincial, denominado «Museu Caboverdeano», que funcionará sob a direcção da Secretaria geral do Governo da província.” “ (…) Ministério das Colónias, 28 de Setembro de 1917 – O ministro das Colónias, Ernesto Jardim de Vilhena» *


A tabela integrante do mesmo decreto publica uma primeira secção dedicada ao pessoal, que era constituído por um conservador com vencimento de categoria e vencimento de exercício (792$00 no total), um escriturário com vencimento de exercício (216$00), os serventuários com vencimentos de exercício a 40$00 diários, uma segunda secção dedicada ao material «para despesas de material, conservação e outras, etc.» (1200$00). **


Note-se a fineza da criação deste decreto; outros tempos, outros sistemas, outras políticas, outros interesses…

Se fosse num sistema de orelhas moucas e numa política de terra queimada como se verifica nos nossos tempos (do tipo: abaixo o trabalho do outro!), como seria caracterizado e valorizado o trabalho daquele conservador de 1917?


De que modo os cordelinhos mágicos esculpiriam o relatório para uma memória colectiva à maneira? Questões corriqueiras.

Não se perde nada em perguntar: Em que políticas se enquadram as decisões sobre o que valorizar? Que lógica decide o que deve ficar na nossa memória colectiva?


Porém, algumas certezas descansam serenamente nos corações dos habitantes das ilhas cabo-verdianas: Não existe disputa; “Ninguém” contestará a favor de coisa nenhuma; A História descreverá o processo, e não o homem. Estas rochas gravam todos os ecos; Nós somos meras peças do Xadrez dos Deuses…


Para terminar este pequeno texto, uma citação de Khalil Gibran: «Que pensar do boi que gosta do seu jugo e julga que o gamo e o alce da floresta são coisas perdidas e vagabundas? Que pensar da velha serpente que não é capaz de deitar fora a pele e qualifica todas as outras de nuas e despudoradas? Que direi destes, a não ser que também eles estão na luz mas de costas viradas ao Sol? Vêem apenas as suas sombras, e as suas sombras são as suas leis. E que é reconhecer as leis senão inclinar-se e traçar as próprias sombras na terra? (...)» (Extracto do poema: «As Leis», da obra O Profeta do autor Khalil Gibran)



* Decreto nº 3.406, publicado no suplemento nº 18 do Boletim Oficial nº 43 de 1917


** idem

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O futuro acontece


Excertos de diário de campo (St Luzia, Janeiro de 2911)
"...Quando uma estudante do ensino secundário aparece grávida a meio do ano lectivo, é convidada deixar de frequentar as aulas para não dar mau exemplo às colegas. Assim troca-se os livros por fraldas. Quando um grupo rapazes estudantes do ensino secundário leva a guerra de gangs para dentro da escola, alguns colegas passam a opinar que a escola afinal já não é segura e outros colegas aderem ao grupo dos arruaceiros. Assim as mochilas passam a levar armas e livros..."

Disciplina de Etnografia Caboverdiana (EC)

Trabalho sobre o comportamento juvenil nas escolas secundárias das aglomerações urbanas de CV

Universidade das Ilhas em Geral (UIG)

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Isto ou aquilo?

Sobre criminalidade e desenvolvimento: Será contradição? Passamos de país sub desenvolvido para país em vias de desenvolvimento mas a criminalidade não apresentou sinais de abrandamento. Descartamos a criminalidade como indicador ou reformulamos o conceito de desenvolvimento?



Bíblia Sagrada e Saramago: Quem não deve estar contente com o escritor deve ser o anticristo declarado, Marilyn Manson, como poderá ele ser o anticristo e ter o Diabo no corpo se Deus não existe, Ele que criou tudo inclusive o Diabo, o anjo caído?

Sobre a queda de seis lugares da liberdade de imprensa em CV. A culpa não é de ninguém, mas sim do sistema.... Esperava-se que o jornalismo acompanhasse a passagem do país de "sub desenvolvido" a "desenvolvimento médio". Mas tal não se verificou.


De acordo com entrevistas na televisão nacional com artistas e algumas festas de comemoração do dia da cultura fica a questão: Celebra-se a cultura caboverdiana em si ou as manifestações artísticas do país?

domingo, 27 de setembro de 2009

Feira: "Meet the authentic CV Mob"

A caminho da inaugração da casa do Dirceu, resolvi passar pela feira com o intuito de tomar uma correspondêcia que me enviaram da Praia. Logo à entrada, a primeira coisa que me saltou à vista foi um aglomerado pessoas sentadas numa esplanada, à direita, uma das entradas para os famosos stands. É perfeitamente legítimo a organização de actividades que dêem a conhecer os nossos produtos. Esperava encontrar um sítio animado com pesssoas simpáticas, dispostas a conversar sobre a sua oferta. Mas a sensação gélida e vazia invadiu-me no instante em que entrei. As pessoas engravatadas dos stands (agências, coorporações e universidades)limitavam-se a falar entre eles, ignorando o que se passava à sua volta e mostrando um par de objectos repletos de vazio. Uma atitude a explicar pela soberba característica ou pelo simples facto de não saberem agir por não entenderem o verdadeiro significado da festa? A ver. Feira de turismo sob o lema "experiência autêntica" (neste caso, autenticidade fabricada por uma família irremediavelmente invisível).

www.ericohiller.com.br

Não tardei a localizar os stands de artesanato (zona de boa aura), artesãos que se mostravam visisvelmente receptivos e alegres por participar de tamanho evento. E num outro extremo longínquo estava o diamante máximo da cultura caboverdiana. um stand sobre a Cidade Velha recheado de objectos simbolicos do referido património mundial. (Um grande passo, sem dúvida, para o desenvolvimento do país). Mas também todos sabemos que aquilo é explorado por uma empresa espanhola porque nós aqui não temos capacidade par tal empreendimeto.

Dei uma vista de olhos no programa e reparei que havia palestras a serem proferidas pelos mesmos dinossauros fósseis de sempre, porque desde a claridade e outros paradigmas seguintes, nunca mais nasceram pessoas capazes de tal proeza, por isso recorreu-se à coorporação Jurassic Park, que juntamente com outras coorporações de mesma antiguidade insistem em tentar convencer-nos que a torneira de intelectuais como os antigos está para sempre fehada, isto é já não existe. ("...obliterar aristas, intelectuais e cientitas do povoado para podermos dominar hehe", isso lembra-me um lema de uma ideologia que não convém aqui mencionar).


Entrei noutro pavilhão que dizia "exposição" Mas não hava nada em exposição. Havia duas mesas ocupadas por comidas e bebidas e pessoas à volta delas.. Saí e fui ver o que havia na esplanada onde estavam todos os visitantes da feira com olhos postos no nada.(é que não havia mesmo nada para ver, nem ouvir). Fui ler o quadro do cardápio, contente fiquei quando vi que havia torresmos, que adoro, pedi uns quantos e procurei uma mesa para deliciar as iguarias com uma imperial e tentar esquecer o frio da sibéria que apanhei nas sala dos stands. Por fim abandonei o local , feliz pela evasão e apreensiva pela realidade que acabara de deixar para trás.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Vivos, sabem?

Postos de trabalho, que condições?

O Sr. Milton explica melhor

Look but don't touch. Touch, but don't taste. Taste, don't swallow. Ahaha. And while you're jumpin' from one foot to the next, what is he doing? He's laughin' *

*Extrato de diálogo entre Kevin Lomax (Keanu Reeves), John Milton (Al Pacino), no filme Advogado do Diabo.